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A ARMADILHA DOS HOLOFOTES: A pressão de ser um "criador de conteúdo" na música eletrônica



Para você, DJ, você já se sentiu pressionado a produzir conteúdo toda semana só para se sentir parte da cena e não ser esquecido pelo público? E para você, que é clubber, já teve a sensação de que um artista está "em baixa" simplesmente porque ele não tem aparecido com frequência nas redes sociais?


A música eletrônica mudou. Hoje, não basta mais produzir faixas impecáveis ou entregar sets memoráveis. A regra do jogo exige que você seja, acima de tudo, um criador de conteúdo. Se você não posta o reels do seu melhor drop, se não documenta o backstage, os aeroportos ou os bastidores da sua vida, parece que o seu trabalho não existiu. Sem esse fluxo constante de postagens, o algoritmo te enterra e o público, cada vez mais sedento por novidades, te ignora.


O que esse padrão frenético tem gerado? Uma geração de artistas exaustos. Muitos estão adoecendo, com a ansiedade nas alturas, obcecados pelo resultado imediato. A exigência de ter o hit que bomba no TikTok e as métricas de visualização nas alturas criou um cenário onde a qualidade musical muitas vezes perde espaço para o "conteúdo descartável".


E aqui, eu falo como alguém que vive na pele essa pressão. Como Richard Marty, quantas vezes já me peguei olhando para a tela do celular, pensando: "Preciso postar algo hoje". Muitas vezes, sem ter nada relevante ou um momento especial para compartilhar, acabamos postando "qualquer coisa" só para manter a presença digital. Isso não é legal para a nossa cabeça e, honestamente, nem para a integridade da cena.


O impacto mais grave dessa dinâmica é a perda de grandes artistas. Estamos vendo produtores de altíssimo potencial jogando a toalha porque não aguentam mais o peso de ter que estar sempre no auge, sempre performando para as câmeras, sempre em busca da próxima validação digital.


A música eletrônica deveria ser sobre som, sobre a pista, sobre a conexão humana. Quando transformamos a carreira artística em uma maratona de criação de conteúdo, estamos perdendo a essência do que nos fez começar.


Será que não está na hora de voltarmos a valorizar mais o trabalho de estúdio e a técnica na cabine, e um pouco menos a "perfomance" diária nas redes sociais? A cena precisa respirar, e a saúde mental dos nossos artistas precisa ser prioridade antes que a música (a de verdade) pare de tocar.


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