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MUITO ALÉM DO MAINSTREAM

A importância das festas independentes na movimentação da cena eletrônica



 Imagem: reprodução / Instagram @baltersmusic
 Imagem: reprodução / Instagram @baltersmusic

Quantos rolês de coletivos independentes você frequentou neste último ano? Você conhece, de fato, os coletivos que movimentam a sua cidade?


Enquanto o mainstream cumpre o papel de moldar a cara da cena eletrônica para as massas, ele acaba criando um efeito colateral perigoso: a padronização. Em grandes festivais, a lógica é o lucro e o alcance, o que muitas vezes deixa gêneros mais "difíceis" ou experimentais de lado em prol do que está na moda. 


Se não fossem os coletivos independentes, muitos subgêneros da música eletrônica já teriam perdido muita força nas pistas pelo Brasil. Enquanto os gigantes apostam no seguro e no garantido, as festas independentes estão mais propicias a apostar no novo e no diferente.


Produzir um evento independente é um exercício de equilibrismo. O desafio passa por camadas que o público nem sempre enxerga: encontrar o local ideal (que na maioria das vezes não possui estrutura para receber um evento); buscar DJs que não apenas façam sentido para a curadoria, mas que também "caibam no bolso"; pensar na decoração que traga identidade e coordenar um staff que, muitas vezes, está ali mais por paixão do que por dinheiro.


A realidade financeira é complicada: na maioria das vezes, a conta não fecha. Quantos produtores independentes terminam o evento no "zero a zero" ou até no prejuízo, apenas pelo propósito de propiciar uma experiência diferente e autêntica ao clubber? 


Aqui em Curitiba, temos o privilégio de viver em uma cidade onde o underground respira com força total. Não há um fim de semana sequer na capital paranaense que não conte com a entrega de eventos extremamente autênticos. Coletivos como Bioma, Tomada, Catarse, Cura Records, Discontrole, Lavanda, Microondas, Balters, Rhizome, Furtacor, HomeTown – entre tantos outros – desempenham esse papel de maneira brilhante.


Foto: Felipe Adames
Foto: Felipe Adames

Valorizar o underground e as festas independentes é, na verdade, fomentar o crescimento de toda a cadeia produtiva da música eletrônica. Existe um ciclo virtuoso aqui: quanto mais coletivos ocupando espaços e produzindo com seriedade, maior se torna o público interessado e, consequentemente, mais viável se torna a criação de novos projetos. 


Essa efervescência cria um mercado saudável onde DJs têm onde tocar e o público ganha um leque de opções cada vez mais rico. A cena eletrônica não é um ecossistema que sobrevive apenas do topo da pirâmide ou do mainstream; ela possui uma arquitetura dependente desse fluxo constante na base, que é o que permite à cultura se renovar, expandir e manter sua relevância


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