Room Records celebra 6 anos e a reabertura do Club Vibe com noite histórica
- Guilherme Dezone
- há 5 horas
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Atualizado: há 3 horas
Fundadores e novos talentos dividem a cabine em uma celebração que une o passado, o presente e o futuro da label.

O olhar de Jake: A mente por trás da ROOM
Em 2020, a cena da música eletrônica de Curitiba concentrava muitos talentos, mas oferecia poucas oportunidades. DJs e Produtores enfrentavam dificuldades para alcançar o público. Foi neste contexto que Jake passou a questionar a dinâmica da cena local. “Havia muitas panelas e, ao mesmo tempo, muitos artistas talentosos completamente sem espaço e sem oportunidade." Para ele, o problema não estava na falta de qualidade, mas na forma como a cena se organizava e distribuía espaço.
A partir da vivência nos clubes, ele percebeu que poderia transformar a própria estrutura em ferramenta:
“criar algo que funcionasse como uma label familiar, mas que também fosse uma ponte real para novos artistas locais”
Assim, a ROOM RECORDS se consolida como um espaço de articulação, ampliando caminhos para que artistas pudessem tocar, lançar e se desenvolver dentro da cidade.
Ao lado de Eduardo Castilho e Lucas Mantelli, essa visão ganha novas camadas e deixa de se limitar à realização de eventos. A iniciativa passa a operar como um ambiente de desenvolvimento artístico, oferecendo suporte para que artistas cresçam e amadureçam profissionalmente. Para Jake, esse foi o ponto de virada:
“Quando entendemos a Room como uma plataforma, percebemos que poderíamos ir além do que a cena estava acostumada”.
Essa construção sempre esteve ligada à House Music e desde o início, o projeto evitou seguir tendências de curto prazo, orientando sua curadoria a partir de uma relação consistente com o gênero, entendido como cultura, história, forma de se relacionar com a pista e com a cidade.
Seis anos depois, a história da marca se constrói em etapas bem definidas. Primeiro, a criação do projeto, quando ainda não havia visibilidade e nem as garantias de hoje. Depois, a primeira data no Club Vibe, em junho de 2022, quando passou a ocupar um dos espaços mais tradicionais da cidade. Agora, a celebração de seis anos, neste sábado, dia 10, novamente no Club Vibe, marcando também a reabertura oficial da casa em 2026. À frente da Room, Jake reforça o significado coletivo do momento:
“Não é só mais uma festa. É um marco histórico para cada pessoa que ajudou, dançou, compartilhou e fez história junto com a Room. Essa celebração pertence a todos que fizeram parte do caminho.”
Benato: A música como renascimento
O percurso do projeto também se revela nas histórias de quem caminha junto. Entre eles está Matheus Benato, que, com cerca de dois anos de trajetória como DJ, enxerga esse encontro não apenas como uma escolha profissional, mas também como um renascimento. Desde então, a música passou a orientar escolhas, relações e a forma de estar no mundo.
“Sempre falei pras pessoas que não fui eu que encontrei a música, e sim ela que me encontrou. Encontrei meu propósito, a razão que me faz levantar da cama todos os dias com garra pra fazer tudo acontecer."
Apaixonado por música desde a infância, Benato encontrou no House um espaço onde sua energia ganhou sentido. Contagiar as pessoas se tornou um objetivo central.
"Depois que comecei a tocar entendi realmente qual é o papel do DJ, que é justamente contagiar o ambiente com a sua energia e a sua música. Então, se eu conseguir deixar a noite de pelo menos uma pessoa mais especial, acredito que cumpri um dos meus propósitos como artista."
O encontro com a Room aconteceu no final do ano passado, após conversas que deixaram claro o alinhamento de visão e de som. E para Benato:
" A Room representa pra mim uma alegria enorme em saber que estou entre os melhores da cidade e em saber que agora tenho diversas pessoas no backstage cuidando de mim"
O momento é envolvido por reconhecimento e gratidão por integrar um coletivo que investe no crescimento artístico de forma cuidadosa.
Na pista, a relação do DJ com o House ganha outra dimensão. Para ele, tocar não é apenas executar um repertório, mas dialogar com quem compartilha a mesma escuta.
"Tocar House é uma coisa. Tocar House para quem ama e respira o House é outra."
Neste sábado, BENATO se apresenta em um clube que faz parte da sua história, em uma noite especial que celebra não apenas os 6 anos da Room, mas também seu aniversário, poucos dias antes de completar 24 anos, no dia 14 de janeiro. A noite carrega expectativa e afeto. O encontro com amigos e artistas que integram seu percurso recente acontece em um espaço de troca, escuta e convivência.
"Para meus amigos Edu Castilho, Mantelli, Ayres, Marquez, Fauri e FRL, Vai ser um prazer dividir a pista com todos vocês, estou ansioso tanto para tocar quanto para assistir o set de todos vocês, não tinha como ter um time melhor que esse!"
Fauri Cubas: O reencontro e a liberdade criativa
Aos 26 anos, Fauri Cubas carrega um vínculo antigo com a música, marcado por pausas e mudanças de direção. Sua história começa ainda na adolescência, tocando e se formando dentro do circuito da cidade. Depois vieram os anos de Engenharia Civil, a mudança para a França e o afastamento gradual da pista. A música nunca desapareceu, mas ficou em segundo plano, até que o silêncio começou a pesar.
"Eu estava me sentindo, de certa forma, incompleto."
Essa retomada começa a ganhar forma quando o projeto cruza seu caminho. Primeiro, o convite para tocar na pista principal da Vibe. Depois, a aproximação com Jake e uma conversa despretensiosa que, aos poucos, se transforma em agenciamento. A partir daí, Fauri passa a enxergar o coletivo como algo que vai além de uma estrutura formal.
"A ROOM representa para mim não só uma label, mas um time. Porque só entra para a ROOM quem se identifica com ela e com os colegas de profissão e amigos que estão dentro dela também."
Um espaço onde cada DJ mantém seu traço próprio dentro de uma proposta sonora compartilhada pela House Music.
Assumir os decks com essa identidade traz peso e responsabilidade. Fauri reconhece o compromisso que vem junto com vestir a camisa da Room. Seu trabalho na cabine não parte de roteiros fechados. A construção acontece no momento, guiada pela leitura da pista, pelo clima da noite e pela conexão criada ali.
Para a noite de comemoração, essa liberdade criativa ganha forma na pista. A cabine se torna um ambiente de expressão, onde sentimento e identidade aparecem sem filtros. Aos que estarão presentes, ele deixa um convite que resume a proposta sonora da noite:
"Podem ir com uma expectativa muito alta e positiva para dançar muito, muito, muito, porque essa é a proposta da noite: muito groove e muito House."
Nikolas Zeclhynski: Do convite à memória
Além do meio artístico, a experiência se amplia a partir de outros papéis. Entre eles o de Nikolas Zeclhynski, RP responsável por articular os bastidores do evento. Sua atuação começa no Club Vibe e se desenvolve em paralelo à história da Room, além de passar por outros espaços de Curitiba, como o Olga Speakeasy e o Penelope Bar.
Entre público, pista e cultura, Nikolas entende seu papel como mediador do encontro. A soma dessas vivências molda a forma como ele pensa cada detalhe, do primeiro contato ao último momento na pista. Para ele, a função vai além da logística:
“Para mim, ser RP é transformar um simples convite em uma experiência.”
Na sua leitura, a Room se diferencia por cuidar do sentimento coletivo.
“Ela se preocupa, acima de tudo, com o sentimento das pessoas: com a energia coletiva, com aquela sensação que só a música eletrônica entrega, o arrepio, a felicidade, o momento que fica na memória. ”
A comunicação acontece no detalhe, no olhar e na escuta. Quando alguém agradece pela noite, ali está a validação concreta.
O sábado também marca os 22 anos de Nikolas. Ele divide a pista com amigos, equipe e família, em uma noite onde trabalho, afeto e vivência ocupam o mesmo espaço. Produzir uma festa, para ele, não termina quando as portas se abrem, mas se completa na experiência compartilhada até o fim. Por isso, o convite é para viver a noite por inteiro.
"Vivam o calor da pista e vivam a nossa curadoria. Tudo está sendo pensado nos mínimos detalhes, da primeira track até a última, para que cada momento faça sentido e vire memória."
Quando as portas do Club Vibe se abrirem no dia 10, o público encontrará o resultado de seis anos de construção. Jake Gusmão à frente de um projeto que cumpriu sua promessa inicial, Benato celebrando a música como razão de viver, Fauri reafirmando a liberdade criativa como valor e Nikolas cuidando da experiência com atenção e presença.
"A Room é feita de pessoas e essa noite é sobre todas elas" - Jake.
Uma celebração que não se apoia em números ou tendências, mas em histórias que se cruzam na pista, dançam juntas e seguem adiante.
A Curadoria da Noite:
Na Main Room, a curadoria explora diferentes camadas da House Music com:
Edu Castilho b2b Mantelli
Marquêz b2b Ayres
Benato
Fauri Cubas
FRL
Já no VIP Room, o espaço intimista recebe o selo NOENT para uma noite 100% vinil:
Betones b2b Rai
Lourenzo
Vinicius Yort





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