A VERDADE SOBRE AS "PANELAS": POR QUE VOCÊ PRECISA DE UMA?
- Richard Marty

- 28 de ago.
- 2 min de leitura
Quantas vezes você já se pegou dizendo: "Para entrar em tal festa, para tocar em tal lugar é só para quem faz parte da panela"? No entanto, por trás do ressentimento, existe uma verdade do mercado que poucos têm a coragem de encarar: sozinho, ninguém chega a lugar nenhum.
A música eletrônica é, na sua essência, comunidade. Ter um lugar para trocar experiências, compartilhar feedback sincero de estúdio, indicar datas e se ajudar mutuamente é extremamente relevante para o seu próprio crescimento. As "panelas" nada mais são do que o resultado natural de pessoas que criaram afinidade, confiança e visões alinhadas para caminhar lado a lado, algo que não acontece só na noite, mas em absolutamente tudo nessa vida.
O mercado da noite é de alto risco. Um produtor de eventos assume o custo financeiro de uma festa inteira; um DJ escalado em um horário estratégico precisa entregar a pista pronta para a atração seguinte. Nessa dinâmica, é perfeitamente compreensível que contratantes e artistas prefiram trabalhar com quem já conhecem e confiam.
Porém, ao contrário do que muitos pensam, a maioria desses grupos não é uma seita fechada e inacessível. Na verdade, muitas "panelas" estão prontas e ansiosas para receber mais pessoas. Todo mundo quer uma comunidade fortalecida, composta por parceiros dedicados, profissionais e com sangue nos olhos. O ponto é que pessoas assim são extremamente difíceis de achar. Quando um coletivo percebe que você não está ali apenas por interesse apelativo ou imediatista, mas sim para somar de verdade, as portas se abrem.
Se a sua estratégia atual é ficar em casa enviando links por direct e reclamando da falta de oportunidades, o problema não é o grupo dos outros, é a sua falta de presença e atitude. Para furar essa bolha, o caminho passa por entender as regras do jogo:
Ninguém contrata apenas um perfil bonito de Instagram. A aproximação real começa comparecendo aos eventos, estando na pista e apoiando o trabalho de quem faz a cena girar
Antes de pedir uma data ou cobrar espaço, entenda como você pode contribuir para aquela panela. Relações duradouras são construídas sobre troca real, não sobre barganha rasa.
Se as "panelas" da sua cidade não refletem a sua sonoridade ou a sua visão de evento, reúna pessoas que façam sentido para você e faça a sua própria. Vale lembrar que os grandes coletivos de hoje nasceram como pequenos grupos de amigos marginalizados que decidiram criar o próprio espaço.
Ao mudar a perspectiva, você percebe que comparecendo aos eventos e se aproximando com verdade, você pode entrar na "panela" que tanto criticou, ou, melhor ainda, construir a sua própria do zero.






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