top of page

HATERS E O EFEITO SILENCIADOR: Quando o ódio digital interrompe carreiras

Você já foi criticado duramente nas redes sociais após o registro de um set ou o lançamento de uma música? Se a resposta for sim, você faz parte de um grupo cada vez maior de artistas que descobriram, da pior forma, que o sucesso e a exposição têm um preço alto no mundo virtual.


O que precisamos entender – e aceitar o quanto antes – é que do outro lado da tela existem pessoas prontas para oferecer o seu pior. Vivemos em uma era onde muitos acreditam que, se um som não lhes agrada, eles ganharam automaticamente o direito de atacar a honra e o trabalho do artista. A crítica musical, que antes era um debate sobre estética, transformou-se em um tribunal de linchamento virtual.


Há uma regra não escrita no ambiente digital: quanto mais você cresce, mais você atrai olhares, e nem todos são de admiração. Quando uma track sua viraliza, um vídeo de um momento especial do set alcança milhares de pessoas ou sua agenda começa a lotar, o hate aparece como um efeito colateral inevitável. Ver o sucesso do outro causa um desconforto profundo em quem não se sente realizado. Para alguns, atacar é a única forma de se sentirem relevantes.


Recentemente, vimos um dos nomes mais criativos da cena melódica, o produtor Innellea, anunciar uma pausa na carreira por não suportar mais o peso das expectativas e das críticas agressivas sobre sua evolução sonora. Em um desabafo corajoso, Michi (nome por trás do projeto) revelou o quanto os comentários sobre como ele "deveria soar" o afetaram.


Em um trecho que resume a angústia de muitos produtores, ele afirmou:


Tenho lido cada vez mais comentários dizendo como o Innellea deveria soar. E isso mexe comigo. [...] De alguma forma, eu me sinto preso. Preso às expectativas. Em caixas nas quais nunca quis entrar. O que, afinal, me é permitido fazer como artista?


O afastamento de Innellea para "se reconectar com o motivo pelo qual começou tudo isso" é um sinal de alerta vermelho para todos nós. Se um artista desse escalão se sente sufocado pelo ruído das opiniões e dos feeds, o que sobra para quem está começando?


Qualquer pessoa que escolhe uma vida de exposição estará sujeita a isso. Não há como controlar o que o outro digita, mas há como controlar o quanto você absorve. O segredo da sobrevivência está na autoblindagem.


Você precisa acreditar no seu trabalho e no seu propósito com uma força inabalável. Afinal, se você não acreditar no que está construindo, quem acreditará? Se permitirmos que a nossa arte seja moldada pelas críticas destrutivas de quem nunca subiu em uma cabine, perderemos o que temos de mais valioso: a nossa personalidade.


A opinião que realmente conta vem de quem conhece o suor do estúdio e a pressão da cabine; o ódio vem de quem apenas assiste. Proteja sua saúde mental, filtre o que chega até você e lembre-se: sua identidade artística é inegociável. No final das contas, o julgamento de quem está atrás de uma tela não pode ter mais peso do que a entrega de quem está atrás da cabine.


Comentários


bottom of page