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HOUSE ALL NIGHT. THIS IS ROOM

Após uma última edição histórica, a Room Records retorna ao Club Vibe nesta sexta (10) elevando ainda mais a intensidade da pista. Com Danz & Purkott estreando no clube, aniversário de Ayres, Marquez e FRL na pista, Sintrone somando ao time de DJs a Moonwaves no comando do VIP Room, a label curitibana reafirma sua proposta: consistência, pesquisa e uma entrega que fica na memória.


Em uma cena eletrônica que muitas vezes corre contra o tempo em busca da próxima tendência, a Room aposta na construção. Diferentes trajetórias se encontram na mesma noite, conectadas por uma curadoria que prioriza sensação e profundidade.


Para Jake, fundador do projeto, o momento atual é de colheita e amadurecimento. A curadoria não busca o óbvio, mas o sensível. "Existe uma maturidade maior na leitura sonora — seguimos explorando um house profundo, grooveado e atemporal, com referências que passam pelo micro house, minimal house e acid house, sem perder o nosso lado Disco", revela. 


A intenção se resume à experiência: "A sensação de ter vivido algo real. Uma memória de pista, de conexão e de música — daquelas que ficam."



Danz & Purkott — A estreia de uma assinatura inconfundível



Assumindo a responsabilidade de headliners da noite, o duo Danz & Purkott faz sua aguardada estreia na Vibe. O projeto, que surgiu em 2017, une o tempo de cabine de ambos: Danz com seus 25 anos de estrada e Purkott com 14.


A noite marca a consolidação de uma identidade sonora. Eles começaram no techno pesado, passaram pelo house progressivo e hoje estruturam seus sets em um house contemporâneo, marcado por percussões latinas, timbres metálicos e vocais psicodélicos. 


É uma pesquisa musical refinada ao longo dos anos. O duo tem no currículo passagens por festivais como Adhana, Universo Paralello e Upload SP, entre tantos outros. O ponto em comum que atravessa toda essa trajetória, segundo Purkott, sempre foi um só:


 "A vontade de trazer algo novo e surpreender — aquele tipo de som que faz a pessoa pensar 'caralho, dá pra fazer música com isso?' Dá sim."


Na cabine, a dinâmica foge do convencional. Se um dos dois diz não para uma ideia, ela é descartada. Essa regra simples gera sets que não seguem um fluxo único, mas se constroem em tensão, escuta e resposta.


Uma negociação constante que se reflete diretamente na pista. O ponto de partida nunca é fixo:


"Nada no Danz & Purkott é engessado, cada noite tem sua própria narrativa." E o resultado sonoro, apesar de toda a pesquisa por trás, guarda uma intenção bem definida: "É som pra dançar na moral, nada muito deep."


Em paralelo, a dupla está à frente da Furtacor, projeto de curadoria cultural que expande o alcance do trabalho para além dos sets.


 “A produção cultural muda a forma como a gente vive tudo isso. O rolê ganha propósito. A pista deixa de ser só entretenimento e vira um lugar de expressão, quase sagrado.” 


Nesse trânsito entre pista e curadoria, a pesquisa se aprofunda. Conexões com artistas e coletivos que alimentam diretamente o que acontece na pista.


Chegar onde chegaram não foi sem peso. Purkott fala sobre isso sem romantizar: 


"Claro que pra chegar nesses lugares tem estratégia, construção de marca, networking… e sendo artistas independentes, tudo vem com uma carga a mais, mais tensão, mais ansiedade. Quando as datas começaram a crescer, isso foi babado."


 O equilíbrio que encontraram veio de uma compreensão simples, mas difícil de alcançar: 


"Até a gente entender que nada disso vale se não for prazeroso. Independente de quantas pessoas tenham, onde estamos ou de quem esteja na frente, tem que ser divertido."


"Pode soar clichê, mas pra gente a música é um dos pilares da existência humana. Ela sempre esteve ali, desde que o ser se tornou humano. O mais louco é perceber que, mesmo distantes, existem pessoas criando e consumindo exatamente o que outras do outro lado do mundo. É talvez a forma mais universal de comunicação que existe." — Gabriel Purkott


Se tivessem que traduzir o momento atual do projeto em uma track, a resposta de Purkott foi direta: Brenda - Ensemble Barrabás. Uma escolha que diz muito sobre onde o duo está e para onde aponta.


Danz & Purkott | Adhana Festival 2025 - 2026 | By Up Audiovisual

Ayres b2b Marquez — Dinâmica e leitura de pista



A noite também abre espaço para as comemorações de aniversário de Ayres e Marquez, que comandam a pista em formato b2b. Ambos são formados pela Vibe DJ College e chegam à cabine com estéticas próprias que se complementam na prática.


Vindo de uma família de músicos, Ayres encontrou seu lugar na discotecagem há três anos. Seu som hoje circula pelas nuances mais introspectivas do house e do micro house, com influências como Saraga e Ary:eh — "eles têm mais elementos sintetizados e modulados que eu adoro", conta. 


Na condução da pista, parte sempre do que quer dizer: "


Normalmente entrego o que eu quero dizer, e trabalho conforme a pista responde." Celebrar o aniversário dentro de uma festa da label tem um peso particular: "O Club Vibe e a Room foram as portas de entrada para mim dentro da cena eletrônica curitibana — poder realizar meu aniversário em uma festa da label é ainda mais especial."


Ao lado dele, Marquez transita do house alegre com pianos vibrantes à face mais ácida e séria do estilo, trazendo referências de documentários e filmes para compor o set. Para ele, o diferencial está na percepção de quem dança:


"É o instinto que te faz entregar um set que toca as pessoas. Quando você vira uma track que não corresponde à energia da pista, você vê mais pessoas conversando... Diferente de quando você se conecta e ouve gritos, mão pra cima e olhos fechados."


No b2b, a sintonia fala mais alto que o planejamento:


"Não combinamos quase nada antecipadamente. Quando queremos brincar com a curadoria do outro, escolhemos algumas tracks com elementos um pouco diferentes do usual, e o outro tenta acompanhar ou dobra a aposta."


"Esse dia não será o dia de mais um set de House, será O set de House. Vou mostrar à pista como eu me sinto por meio da música." — Marquez



FRL — A maturidade do groove



A programação segue com FRL, artista que tem o clube como parte essencial de sua história e também celebra seu aniversário comandando o som. Com quase uma década de estrada, sua jornada atual prioriza o andamento e a narrativa da pista.


Se no início da carreira o foco era mostrar técnica, hoje sua maior aliada é a paciência.


"Percebi que o silêncio, a pausa e a construção progressiva do set valem muito mais do que qualquer virada explosiva. É sobre saber contar uma história, não apenas empilhar músicas." — FRL


Com influências do French House, Daft Punk e Modjo , FRL encontra seu ponto de equilíbrio misturando elementos instrumentais com batidas modernas. Retornar ao palco nesta data tem um significado profundo: 


"Não é só sobre a festa em si, mas sobre celebrar a consistência. É um momento de gratidão [...] com o mesmo frio na barriga da primeira vez."



Sintrone — Sintonizando a pista



Fechando a pista principal, Sintrone apresenta uma trajetória que começou cedo. A descoberta da produção musical e da discotecagem veio com uma constatação fundamental que o puxou de vez para o som: "A música eletrônica você pode ser a banda inteira."


Com 10 anos de experiência, seu nome artístico traduz seu foco durante as apresentações: sintonizar e sincronizar com o público. Sem roteiros engessados, ele constrói sua entrega por meio de uma leitura atenta do ambiente.


"O que mais me define na cabine é a autenticidade. É botar aquilo que eu sinto no meu coração em prática [...] transparecer aquilo que tem de dentro pra fora", explica o artista.



A atmosfera contínua — Moonwaves no VIP Room


Para garantir que a qualidade sonora ocupe todos os espaços e abra uma narrativa paralela, o coletivo Moonwaves faz sua estreia comandando o VIP Room. O projeto entrega uma identidade ancorada no minimal romeno e na pegada densa do electro.


A construção da noite no espaço intimista da Vibe começa com Gimenes e AMRL estruturando o warm-up em ondas hipnóticas. O terreno fica pronto para o headliner Disco Chip, que transita habilmente do electro ao house, abrindo passagem para JPDR e Brisola encerrarem a pista. O objetivo da Moonwaves é imersivo e direto, como resume o fundador do coletivo: 


"A sensação de ter vivido algo que não se explica fácil — mais sentido do que entendido." — João Pedro Dias, Moonwaves



Quando a curadoria é feita com verdade e os artistas estão alinhados com o que o público precisa ouvir, a noite deixa de ser apenas uma festa e se transforma em uma experiência real. House all night.



Serviços:

Room Records apresenta DANZ e PURKOTT

Club Vibe — Curitiba

🗓 10 de abril | 23h

🎟 Ingressos disponíveis no site do Club Vibe

Line-up: AYRES b2b MARQUEZ, DANZ, FRL, PURKOTT e SINTRONE.

VIP Room: AMRL, BRISOLA, DISCO CHIP, GIMENES e JPDR.

Infos: @roomrecords

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