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ACID ASIAN

Identidade sonora, processo criativo e os caminhos de uma trajetória que acompanha o crescimento do Hard Techno brasileiro. 

Texto: Guilherme Dezone | Entrevista: Paulo Oliveira


Linhas de Acid, kicks do Hard Techno, percussões inspiradas no taiko japonês e referências que passam pelo psytrance, rap e trap compõem a sonoridade que Fábio Seiki desenvolveu nos últimos anos sob o nome Acid Asian. O projeto levou o produtor brasileiro a festivais como o Tomorrowland, a apresentações em diferentes países e a uma relação próxima com a KNTXT, label de Charlotte de Witte, artista que ocupa um lugar importante na origem de sua relação com o Techno.


Em 2022, Fábio tornou-se o primeiro brasileiro a lançar um EP pela KNTXT ao assinar “Break Into Acid”, trabalho que também inaugurou a RPMX, sub-label da gravadora. Nos anos seguintes, essa relação continuou por meio de lançamentos e apresentações ligados à label. Uma de suas faixas chegou a ser escolhida por Charlotte para encerrar seu set no Tomorrowland Brasil, enquanto Tiësto deu suporte ao trabalho do produtor durante o AMF.

A proximidade profissional com uma de suas principais referências começou a ser construída alguns anos antes. O interesse pela carreira de DJ e produtor surgiu em 2012, quando assistiu pelo YouTube a um set de Dimitri Vegas & Like Mike na Tomorrowland. Naquele momento, o Techno ainda não fazia parte de suas referências. Isso mudaria em 2018, quando chegou a um set de Charlotte de Witte.

Fábio acompanhou a apresentação inteira e depois procurou sua tracklist para descobrir as músicas que haviam chamado sua atenção. Entre os elementos que despertaram sua curiosidade estava um timbre que ainda não sabia identificar. Mais tarde, descobriria a TB-303 e sua associação com o Acid, sonoridade que passaria a ocupar um espaço central em suas próprias produções.

“Esse set em si da Charlotte foi onde abriu as portas do techno para mim. Porque desde então, comecei a pesquisar mais sobre esse gênero.”

Em 2021, três anos depois daquele set, teve a oportunidade de apresentar suas produções a Charlotte quando a gravadora abriu o recebimento de demos.

“Minha relação com ela começou em 2021 quando ela abriu a gravadora para mandar demos. Nesse período eu lembro de ter mandado 4 tracks e depois de um tempo recebi o email dela dizendo que tinha gostado das faixas e que queria conversar mais sobre o meu projeto.”

O contato teve continuidade e chegou à RPMX no ano seguinte com “Break Into Acid”. A estreia na sub-label alcançava um objetivo que o produtor carregava desde a criação do Acid Asian: ter uma de suas músicas tocada pela artista que havia despertado seu interesse pelo gênero.

“Poder ter lançado na RPMX, sendo o primeiro lançamento da sub-label, foi muito mais do que eu imaginei. Porque quando criei o projeto Acid Asian, meu objetivo era que ela tocasse ao menos uma música minha haha. Esse lançamento e todos que eu lancei até então na KNTXT tem um significado muito maior do que somente um lançamento.”

A circulação do projeto cresceu nos anos seguintes. Acid Asian passou por festivais e clubes dentro e fora do Brasil e chegou ao Tomorrowland Bélgica, ampliando uma trajetória que também o levou a diferentes países da Europa, Ásia e América do Sul. Ao olhar para esse percurso, ele relaciona a continuidade do projeto à confiança nas próprias escolhas e ao trabalho realizado enquanto se preparava para novas oportunidades.

“Seguir a minha intuição e ser verdadeiro comigo mesmo. Porque desde o primeiro e-mail que recebi da Charlotte e o time dela, eu sabia que eu estava no caminho certo. Só não sabia quando as coisas iam desenrolar pra mim. Então continuei trabalhando, acreditando no processo e me preparando para essas oportunidades que eu tive.”

Essa atenção ao processo também orienta o conselho que costuma dar aos produtores que estão começando. Em sua visão, finalizar uma faixa faz parte do desenvolvimento, mesmo quando o resultado não corresponde ao que se esperava dela.

“Uma dica que eu sempre dou é terminar todas as suas tracks, não importa se vai ficar boa ou ruim. Termine. Porque você sempre vai tirar algum aprendizado nessa track para levar para próxima.”

O aprendizado, para ele, também está presente nos períodos difíceis e pode levar algum tempo até ser reconhecido.

“E uma coisa que eu levo comigo é sempre ser verdadeiro com o que você realmente quer e aproveitar o processo, mesmo nos momentos ruins. Sempre vai ter algum aprendizado nisso e você só vai perceber mais pra frente.”

Essa abertura para aprender e experimentar aparece também na forma como Acid Asian desenvolve suas produções. Sua identidade foi sendo construída ao longo dos anos a partir da liberdade de testar diferentes referências, sem partir de uma definição fechada sobre como o projeto deveria soar.

“Me divertindo na hora das produções e não tendo medo de testar. Ter sua própria identidade é um diferencial, mas o mais importante é a pessoa estar curtindo e acreditando no que ele está fazendo porque aí a identidade vem natural.”

Para Fábio, essa identidade acompanha o tempo dedicado à produção e as experiências acumuladas ao longo da vida. As faixas produzidas durante esse percurso passam a fazer parte da construção de sua linguagem.

“Criar uma identidade própria não é da noite pro dia. Pra mim, seria a junção de todas as tracks que você vem criando com tempo e as experiências que você vai tendo durante a vida.”

Enquanto Acid Asian desenvolvia sua própria linguagem, o Hard Techno também ampliava sua presença no Brasil. A circulação de artistas ligados ao gênero por diferentes estados e o trabalho de núcleos independentes fazem parte desse movimento observado pelo artista.

“Eu acho que a cena vem aumentando cada vez mais e é muito legal ver outros DJs de hard techno no Brasil indo tocar em outros estados, sem ser São Paulo.”

Para o produtor, a presença desses núcleos cria novas oportunidades para DJs e ajuda a manter o circuito do Techno ativo em diferentes regiões do país.

“Esses núcleos independentes tendo mais visibilidade é bom para todo mundo porque são mais oportunidades para novos DJs tocarem e assim continuar girando o mercado do techno dentro do Brasil. Com certeza tem sempre o que melhorar, mas acho que estamos no caminho certo.”

Curitiba faz parte dessa circulação há alguns anos. Acid Asian já se apresentou outras vezes na cidade e retorna ao Club Vibe neste sábado, 22 de agosto. Depois de São Paulo, a capital paranaense é apontada pelo próprio DJ como a cidade onde provavelmente mais tocou.

“Tocar em Curitiba é sempre muito bom! Acho que é a cidade que eu mais toquei, tirando São Paulo. Sempre sou muito bem recebido então as expectativas sempre são altas haha.”

E para o set deste sábado, Acid Asian chega com novidades e um repertório que continua acompanhando as experiências e referências construídas ao longo do projeto. 

“O pessoal pode esperar um set com músicas novas, muito hard e quem sabe um pouco de psy hahaha.”

Assista ao set de Acid Asian no Bazar Sauvage, transmitido pela HÖR em outubro de 2025.

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