BERVON
- Guilherme Dezone

- 15 de jul.
- 4 min de leitura
Hoje, residente do D-EDGE e presença frequente em clubes e festivais no Brasil e no exterior, Bervon consolidou seu nome entre os principais artistas da cena eletrônica nacional. Sua sonoridade une a sensibilidade do House à densidade do Techno e do Trance, enquanto seus sets revelam uma leitura de pista precisa e uma identidade sonora cada vez mais reconhecível. Quem o acompanha talvez não imagine que essa história começou ainda na adolescência.
Desde jovem, o curitibano esteve próximo da música eletrônica por meio de amigos mais velhos. A paixão pela música cresceu com o passar dos anos, impulsionada também pelo incentivo da família. Entre todos, foi a avó quem mais o incentivou no início da carreira.

Antes dos palcos internacionais, houve as primeiras descobertas, o contato com a cena eletrônica e o incentivo da família. Foi sobre esse começo que conversamos com Bervon.
"Eu sempre tive amigos mais velhos, tive contato com a cultura clubber na minha adolescência e o interesse pela música foi crescendo à medida que eu ia conhecendo mais. Hoje em dia eu sinto que minha mãe tem muito orgulho da pessoa que eu me tornei, mas no início a pessoa que mais me incentivou foi a minha avó."
A trajetória que o levou das pistas de Curitiba para os palcos de festivais como Universo Paralello, Adhana e Carnavibe, além de apresentações em Londres, Amsterdam, Lisboa e Assunção, exigiu movimento constante. Deixar a capital paranaense não foi a única transição geográfica.
"Esses dias eu me dei conta de que talvez seja a sexta vez que eu me mudo, haha. A mudança é um desafio e sempre é uma decisão difícil. De todas as cidades que já morei, com certeza São Paulo está no topo da lista, eu gosto muito de morar aqui."
Foi em São Paulo que sua trajetória ganhou um novo impulso. Hoje consolidado como residente do D-EDGE, levando sua pesquisa também para o Surreal Park e outras filiais do grupo, a parceria representa um dos capítulos mais importantes da sua carreira.
"Houve alguns momentos na minha vida que realmente abriram a minha cabeça, foram vários entendimentos que moldaram o artista que eu sou hoje. Sempre foi um objetivo meu fazer parte do D-EDGE, já fazem 5 anos desde o início dessa parceria, e hoje minha vida é 90% ligada ao grupo, então podemos dizer que a entrada em 2021 foi o início de uma virada na minha vida."
A assinatura no estúdio e a resposta do mercado
No estúdio, Bervon transita entre gêneros sem se prender a definições rígidas. Com lançamentos por gravadoras como Kaligo Records e RawTech Nation, sua sonoridade é uma síntese de suas influências e da atmosfera que ele próprio constrói no comando de sua festa autoral, a Overdrive 72.
"É muito difícil definir o Bervon em um estilo. Eu sou muito influenciado por tudo que consumo, o que forma a minha identidade, e a evolução desse processo é a minha sonoridade. Escutando as minhas obras, é muito perceptível a minha assinatura."
Nomes como ANNA, Wehbba, Richie Hawtin, Joseph Capriati e Sama Abdulhadi já deram suporte às produções de Bervon, reforçando a solidez técnica de seu catálogo. Mas o impacto ganha outro significado quando esse suporte parte justamente de artistas que sempre fizeram parte das suas referências.
"Com certeza todos os grandes suportes nas músicas, de qualquer artista, geram uma energia interna gigantesca para voltar ao estúdio e continuar o trabalho. Em especial, o Wehbba sempre foi uma grande referência pra mim, e os primeiros suportes vieram exatamente dele, então foi um ponto que me fez acreditar ainda mais no Bervon."
Para os produtores em ascensão que tentam alcançar esse mesmo nível de reconhecimento, Bervon abandona as fórmulas e foca no networking e na entrega.
"Primeiro de tudo: qualidade nas produções. Não importa se você é meu melhor amigo, a música precisa ser boa. A próxima etapa é conhecer os artistas, é muito necessário ir a eventos e conversar com as pessoas, muitas vezes você vai acabar ficando amigo de pessoas que eram referência."
A leitura da pista
A mesma preparação que orienta seu trabalho no estúdio também define sua atuação na cabine. Atuando em diferentes frentes da indústria, ele identifica um distanciamento preocupante de parte dos novos talentos em relação a um dos princípios fundamentais da cultura clubber: a leitura de pista.
"Eu atuo no mercado em diversas áreas além das cabines. Trabalho com muitos artistas, em muitos eventos. O maior erro que eu vejo os artistas iniciantes cometerem é a falta de leitura de pista. Hoje muitos DJs chegam com o set pronto, as músicas em ordem, e independente do que aconteça é o set que vão fazer. Na minha opinião, isso demonstra muita falta de preparo, o DJ precisa ter uma biblioteca e entender o que fazer na gig em que está atuando."
Sempre com a atenção voltada para o que exige a pista, sem sacrificar a integridade da sua estética sonora, Bervon segue expandindo sua pesquisa musical. Nos próximos meses, prepara uma sequência de lançamentos que apresenta novas sonoridades dentro da sua própria assinatura.
"Estou com várias músicas novas para sair, coisas bem diferentes do que já ouviram com a minha assinatura. Tem bastante coisa acontecendo, fica o convite a todos para me seguir nas redes sociais e acompanhar."
Para um artista que enxerga a pista de dança como um espaço de pura troca e conexão, a zona de conforto nunca é uma opção. Bervon já demonstrou ter o preparo e a sensibilidade exigidos para transitar entre clubs intimistas e palcos globais, equilibrando o peso de suas referências com a ousadia para explorar novas texturas. O resultado é uma trajetória marcada pela consistência e por uma linguagem musical que evolui de forma natural, sem abrir mão da autenticidade que define seu trabalho.






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