BUJA: A nova geração tem nome, som e identidade.
- Guilherme Dezone

- 6 de mai.
- 5 min de leitura
Natural de Minas Gerais e conquistando as pistas mundo afora, Buja é um daqueles artistas cuja carreira dá orgulho de acompanhar. Aos 19 anos e dono de um talento absoluto, ele estreou na Nervous Records, prepara um EP com Lee Foss pela Repopulate Mars e desembarca no dia 9 de maio com uma das trajetórias mais aceleradas da cena eletrônica brasileira. O Club Vibe recebe o produtor justamente nesse momento de expansão da carreira do artista.
A construção de um artista geralmente exige tempo, mas algumas trajetórias ignoram a curva natural do mercado. Buja começou a produzir aos 17 anos e, em menos de dois anos de estúdio, garantiu lançamentos em selos cobiçados por veteranos da indústria, incluindo Repopulate Mars, Dirtybird, Nervous Records e CUFF. O impacto desse ritmo criativo chegou rápido às pistas internacionais. Suas faixas entraram no case de nomes como Lee Foss, Cloonee, Gordo, Vintage Culture, Marco Carola e CamelPhat, recebendo suporte desses gigantes em clubs icônicos como Space Miami, Factory Town e Pacha.
Além de dividir palcos com grandes nomes da cena e registrar um live sets imponentes em noites com Victor Lou em Curitiba e Illusionize em Uberlândia, ele se prepara para estrear na Só Track Boa em São Paulo no mês de junho. Hoje, agenciado pela Entourage Artists, ele opera com uma estrutura profissional rara para a sua faixa etária. Na pista, sua presença de palco é inegociável: os sets são tão envolventes que você quer ficar até a última track. O próximo palco a sentir essa energia é marcado por seu retorno ao Club Vibe em Curitiba.
A data carrega um peso extra por marcar a comemoração de dois anos da label Trivo. Na ocasião, o mineiro divide a pista com outros grandes nomes da cena nacional, integrando um line up que traz Brisotti e Nicolau Marinho como headliners, além da presença do dj curitibano Ayres.

Mas, antes de assumir o comando dessa noite, é preciso entender a essência por trás de seus sets. Em um papo com a Frequency, Buja detalhou a construção da sua identidade musical, uma jornada que começou muito antes de ele pensar em dominar as pistas.
O contato inicial com a música não aconteceu de forma superficial. Aos 10 anos, ele já estava imerso no Conservatório, estudando piano, violão e bateria. Esse aprofundamento é a verdadeira fundação da sua sonoridade. "A música sempre foi parte de quem eu sou", ele conta. "O Conservatório me deu a base técnica e a sensibilidade que carrego até hoje."
O clique que transformou o fascínio em carreira foi nítido. "Quando entendi que minha paixão poderia se tornar minha profissão, a música deixou de ser hobby e virou escolha", diz. A partir daí, o caminho estava traçado. É nesse momento que o trabalho isolado de produção encontra o público de frente. "A cabine, para mim, é o lugar de realizar essa troca de energia", reflete, traduzindo o que busca em cada apresentação.
A lista de referências do produtor foge do óbvio. Steve Angello, Martin Garrix, Tiësto e Diplo do lado eletrônico dividem espaço com Justin Bieber, Dr. Dre, Michael Jackson, The Weeknd e Pharrell Williams no pop e hip-hop. Dessa multiplicidade de referências nasce a visão artística que ele vem consolidando, unindo batidas sintéticas e ritmos orgânicos.
Quando o assunto é som, Buja prefere não se limitar a fórmulas prontas. "Acredito que estou em uma construção constante", admite. "Minha identidade amadurece a cada dia no estúdio". Seu foco está em linhas de baixo densas, sintetizadores evidentes e vocais que prendem a atenção. O groove é o fio condutor de tudo. "O que define o meu som é o ritmo dos beats e a presença dos sintetizadores, sempre acompanhados de vocais que conectam com o público."
Um dos capítulos mais cruciais dessa etapa recente foi a aproximação com Lee Foss, nome de peso para quem vive a cena house. Trabalhar de perto com o dono da Repopulate Mars virou uma chave na mente do produtor.
"Ele me abriu os olhos para como o mercado internacional funciona de verdade", conta Buja. "Aprendi muito observando a maneira como ele trabalha os leads e os vocais. Foi uma perspectiva muito refinada de produção que elevou o nível do meu trabalho". Essa vivência vai muito além do network, ela bate direto na qualidade final de suas tracks.
Além dos lançamentos em gravadoras gigantes, o artista acumula uma discografia em parceria com o próprio Lee Foss. "BidoLibido" foi a primeira, seguida por "Stand Up And Fight" e "Cult Of Bass", ambas com a participação de Franksy. No catálogo solo, "Arriba y Abajo" marcou sua entrada na Nervous Records partindo de uma base reggaeton para o tech house, com um baixo marcante e camadas de guitarra. Outro destaque é a colaboração com JØRD em "Opera Phantom", provando a versatilidade do estúdio.
Começar cedo traz a energia a favor, mas exige resiliência para atuar em um ambiente competitivo, independentemente da idade. "Aos 19 anos, manter o profissionalismo em um mercado tão competitivo exige muito foco", reconhece. "Mas é uma jornada que eu abraço com alegria."
A entrada na Entourage Artists se soma aos suportes globais e à sua aguardada estreia no Organic Stage, mais um capítulo aberto. E o que tem mais valor nisso tudo? "As amizades verdadeiras que fiz nesse meio são impagáveis", diz.
"Quero que a galera sinta a energia e queira ficar na pista até o último segundo."
Buja acompanhou a Trivo desde a sua concepção. Viu a label nascer, ganhar estrutura e se consolidar no circuito curitibano. Ao falar dos dois anos da festa, ele não fala apenas como mais um nome no line up, mas como alguém que acompanhou o projeto de perto. "Eu acompanhei o corre dos caras desde o início, vi a parada nascer e virar essa força que é hoje. Estar no lineup dessa comemoração tem um gosto especial. É gratificante ver que a gente tá crescendo junto."
O contexto da festa transforma a abordagem musical. "A responsabilidade é outra. Não é só chegar e tocar. É o aniversário de uma label que eu respeito muito e que faz parte da minha história. Dá aquele frio na barriga de querer entregar o melhor set da vida pra honrar o momento". Quando ele descreve sua presença na cabine como "um sentimento de missão, a obrigação de fazer cada pessoa sair mais feliz do que chegou", fica fácil entender sua ascensão. "Eu entro na cabine com a missão de fazer a pista explodir e garantir que ninguém esqueça esse aniversário. A ideia é celebrar com intensidade máxima."
O futuro é focado no longo prazo. Reconhecimento global, legado consistente e, no horizonte, um Grammy. "É para isso que trabalho todos os dias", ele encerra. Com a fundação que estabeleceu em tão pouco tempo, duvidar não parece ser o caminho mais sensato.






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