QUAL O HYPE DO MOMENTO?
- Richard Marty

- 1 de abr.
- 3 min de leitura
Para aqueles que curtem música eletrônica há um tempo, quem não se lembra do boom avassalador que foi o Deep House em meados de 2015? Era impossível ir a uma festa e não ouvir o hit "That’s Why", do Dashdot, ou a "She Knows", do Elekfantz, por exemplo. Um marco sonoro que atravessou fronteiras e carimbou a memória de uma geração que viveu o auge desse movimento.
Recentemente, vivemos outro fenômeno de massas: a ascensão do Afro House e o domínio absoluto do Melodic Techno. Artistas como Anyma, com o selo Afterlife, e o coletivo Keinemusik, representaram fortemente esse momento. Foram a grande novidade por muito tempo, especialmente o Afterlife com toda a sua proposta visual hipnótica.
Entretanto, não dá para negar que o selo enfrentou uma saturação. Muito desse hype foi alimentado por vídeos viralizados no Instagram e no TikTok, que criavam nas pessoas um desejo quase urgente de "estar lá" apenas para registrar o momento. Mas a música é cíclica e, como sabemos, cada momento as coisas tendem a mudar.
O risco do hype é a padronização. Quando um estilo como o Melodic Techno explode, centenas de produtores passam a usar os mesmos presets de sintetizador e as mesmas estruturas de queda, buscando o 'favoritismo' do algoritmo. A saturação que vemos no Afterlife, por exemplo, não é culpa do selo, mas de uma fórmula que foi replicada à exaustão por quem busca o sucesso rápido.
Qual seria o hype de agora? Existe algum?
Vemos o Hard Techno em uma crescente agressiva, especialmente na Europa, resgatando a energia das raves dos anos 90 com uma roupagem moderna. Esse movimento é liderado por nomes como Klangkuenstler, trazendo estética industrial de volta às grandes pistas. Somam-se a ele fenômenos como Sara Landry, atualmente uma das maiores representantes feminina do gênero, arrastando multidões, e Nico Moreno, conhecido pelos seus drops extremamente agressivos.
Em outra frente, o UK Garage ressurge com força. Artistas como Sammy Virji e Conducta são peças centrais dessa reformulação. Selos como o Kiwi Rekords e Timehri sustentam essa cena, privilegiando a inovação sobre a previsibilidade do mercado. No Brasil, embora ainda não seja uma cena massiva, o UKG já circula em festas que acolhem sonoridades híbridas de Breaks e House, mostrando que há um terreno fértil para essa estética por aqui.
Mas a grande verdade é que, em 2026, ainda não temos um hype único e claramente definido dominando as pistas; vivemos um momento de fragmentação. O que sabemos, com certeza, é que esse próximo movimento será ditado pelo algoritmo das redes sociais. É ele quem escolhe qual vídeo vai dominar o seu feed, qual sonoridade vai viralizar e qual estética visual passará a ser a nova tendência global
Isso deveria ser uma preocupação?
Acreditamos que não. O hype é apenas a superfície, ele mantém a indústria em movimento e serve como porta de entrada para novos públicos. Se o algoritmo impulsiona um gênero, ele também força os artistas a se reinventarem quando a bolha estoura.
O segredo para o DJ e para o produtor é saber navegar nessas ondas sem perder a essência. O hype passa, os vídeos do TikTok são esquecidos após o próximo scroll, mas a boa música e a conexão real na pista são permanentes. Afinal, a moda muda, mas a busca por uma experiência que nos toque de verdade nunca sai de cena.






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